Carta Loyall Março 2021

  • 16 de março de 2021
  • Cartas
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Com alta volatilidade no mercado local, Ibovespa cede 4,37% durante o mês de fevereiro

Ao longo do mês de fevereiro, o Ibovespa apresentou o pior desempenho mensal desde setembro de 2020, tendo sua performance abalada por ruídos domésticos, fiscais e políticos. O dólar, ao longo do mês, apresentou alta de 2,39% frente ao real e atingiu a marca de R$ 5,606.

O mês de fevereiro começou com um humor positivo para os ativos brasileiros, após as eleições de parlamentares próximos ao governo para a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado. No entanto, rapidamente se espalharam rumores de que o Brasil possivelmente enfrentaria uma nova greve dos caminhoneiros, aumentando a percepção de risco do mercado local. O entrave culminou com a saída de Roberto Castello Branco do cargo da presidência da Petrobrás em meio a preocupações com interferências políticas na gestão de empresas estatais, as quais levaram a empresa a uma perda de 100 bilhões de reais em valor de mercado em apenas dois dias.

Visando amenizar a situação, o governo entregou ao Congresso uma medida provisória para privatizar a Eletrobrás, um projeto para desestatizar os Correios, além da sanção da autonomia do Banco Central do Brasil. Contudo, as medidas não foram suficientes para estancar as perdas em ativos locais. 

No mês, observamos uma saída líquida de R$ 6,8 bilhões de investimento estrangeiro da nossa Bolsa de Valores, interrompendo uma sequência de meses positivos que se apresentava desde outubro do ano passado.

O ambiente externo também se mostrou desafiador no período. Ao final do mês, os juros de títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos alcançaram o patamar de 1,614%, máxima em um ano. A alta dos rendimentos de títulos considerados livres de risco impactou negativamente as bolsas em todo o mundo, derrubando os preços de ações. Em parte, esta alta reflete uma preocupação do investidor global em relação à possibilidade de que o Federal Reserve precise elevar os juros praticados nos EUA mais cedo do que se projetava, para acompanhar uma recuperação mais acelerada da economia.

Em nossas carteiras, continuamos com o processo de diversificação geográfica. Desde o início de 2021, viemos progressivamente reduzindo nossa exposição a ativos brasileiros, e aumentando a alocação a ativos estrangeiros. Nossos investimentos se concentram, principalmente, em índices de países asiáticos, apresentando relevante exposição à China, e em ações de setores selecionados dos Estados Unidos, dentre eles o setor financeiro e o segmento de médias e pequenas empresas americanas.

Agradecemos a leitura e até a próxima!