Carta Loyall Fevereiro 2021

  • 10 de fevereiro de 2021
  • Cartas
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Processos de vacinação em foco neste início de ano, Ibov apresenta queda mensal de 3,3%

Ativos globais iniciaram o mês de janeiro com performance positiva, em meio ao avanço dos processos de vacinação pelo mundo, embora estes estejam ocorrendo em ritmo mais lento do que o esperado em grande parte dos países. No entanto, a partir da metade do mês, as atenções se voltaram para o alarmante avanço da pandemia de Covid-19, de forma que tanto o ambiente externo quanto o local adquiriram um tom de cautela, revertendo o bom desempenho que vinha sendo observado. 

No Brasil, o avanço da onda de contágios e a saturação do sistema de saúde, principalmente em Manaus, gerou preocupações não só nos âmbitos de saúde e social. A situação levantou debates quanto à necessidade de novos lockdowns pelo país e quanto a uma possível extensão do auxílio emergencial oferecido pelo governo, o que poderia agravar a percepção de risco fiscal do país. Neste contexto, se torna ainda mais relevante a necessidade de que o ritmo de imunização da população se acelere, a fim de possibilitar a retomada da atividade econômica.

Outros fatores atribuíram volatilidade aos ativos durante o mês de janeiro. Na última semana do mês, somaram-se às demais questões o receio dos mercados com a disputa entre “hedge funds” e investidores de varejo que se organizaram no fórum WallStreetBets, da Reddit, o que adicionou ainda mais volatilidade aos mercados. 

Neste cenário, o Ibovespa encerrou o mês de janeiro em queda de 3,3%, a 115.067,6 pontos. O dólar, por sua vez, encerrou o mês com alta de 5,5%, cotado a R$ 5,47.

Índices de inflação seguem acelerando, alta na taxa Selic está mais próxima

Na reunião realizada em 20 de janeiro de 2021, o Comitê de Política Monetária decidiu pela manutenção da taxa Selic no patamar de 2,0%. A novidade no comunicado veio com a retirada do chamado forward guidance até então utilizado, isto é, a sua orientação de não elevar a taxa Selic no curto prazo, condicional a três fatores: projeções de inflação abaixo da meta no horizonte relevante, manutenção do regime fiscal e expectativas de longo prazo ancoradas.

Com isto, é provável que o ciclo de altas da taxa Selic se inicie alguns meses mais cedo em relação às projeções, que apontavam para agosto ou setembro de 2021. Embora algumas projeções já apontem para a reunião de março, a maior parte das casas estima que o aumento de juros se inicie a partir do mês de maio deste ano.

Seguimos construtivos com bolsas globais, balanceando riscos entre ativos locais e internacionais

Internacionalmente, seguimos construtivos com bolsas globais em meio a um ambiente de gradual reabertura das economias e estímulos monetários e fiscais elevados. Optamos por alguns setores da economia norte-americana e por ações de países emergentes, especialmente asiáticos, visando descorrelacionar o risco Brasil em nossos portfólios.

No Brasil, com o resultado das eleições de aliados do governo na Câmara e no Senado, ressurge a expectativa do mercado com relação à continuidade da agenda de reformas em Brasília, cenário o qual seria positivo para ações brasileiras. Em paralelo, expectativas com a alta da taxa Selic em um horizonte mais curto do que inicialmente se projetava, aliadas à manutenção de política econômica estimulativa nos EUA, tendem a levar a cotação do dólar contra o real para patamares mais baixos. Além disto, seguimos com posições para proteção das carteiras para o eventual caso de queda acentuada do Ibovespa.

Agradecemos a leitura e até a próxima!