Carta Loyall Dezembro 2020

  • 11 de dezembro de 2020
  • Cartas
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Bolsa acelera rally e alcança a maior alta mensal desde 2016

Com uma expressiva alta de 15,9%, a performance do Ibovespa surpreendeu investidores durante o mês de novembro, encerrando o período com o maior crescimento mensal desde 2016 e o melhor resultado para este mês desde 1999. O período contou com um cenário global mais benigno graças ao desfecho das eleições presidenciais nos Estados Unidos e aos avanços nos testes finais com diversas vacinas contra a Covid-19.

Acompanhando esse maior otimismo global, fluxos de capital estrangeiro também contribuíram positivamente para a subida do Ibovespa. De acordo com dados da B3, durante o mês de novembro os investidores estrangeiros trouxeram R$ 31 bilhões para a bolsa brasileira, impulsionando ações de grande peso na composição do índice – como Vale e Petrobras.

Acompanhando esta melhora, o dólar cedeu 6,82% frente ao real em novembro, encerrando o período cotado a R$ 5,34. No entanto, a dificuldade em se obter uma maior clareza quanto ao futuro das contas públicas e à trajetória de ajuste fiscal no Brasil representa um significativo obstáculo para que o real se valorize a ponto de chegar a níveis mais próximos aos do período pré-pandemia.

Noticiário político mais ameno e com as atenções voltadas para as eleições municipais

Durante o mês de novembro uma grande parte das atenções na esfera política esteve voltada para as eleições nos municípios. Tanto no primeiro quanto no segundo turno os partidos de centro e os candidatos mais moderados tiveram um bom desempenho nas urnas, enquanto partidos mais tradicionais e nomes mais radicais angariaram menos apoio entre os eleitores. As candidaturas favoritas foram vitoriosas em São Paulo e no Rio de Janeiro, e os partidos de esquerda saíram derrotados nas disputas de maior relevância.

As eleições fizeram com que o noticiário relativo à política nacional se mantivesse mais ameno ao longo do mês. A sinalização por parte do presidente Jair Bolsonaro de que o governo não pretende renovar o auxílio emergencial para além do mês de dezembro e também teria desistido da criação de um novo programa social trouxe alívio para as projeções fiscais nacionais. Além disso, a sinalização da retomada de um ajuste fiscal gradual foi bastante positiva aos olhos dos mercados, o que acabou por favorecer os ativos locais.

Projeções de inflação de curto prazo trazem novas surpresas

Os índices de inflação continuaram se acelerando durante o mês de novembro, como apontaram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (ou IPCA-15) de novembro trouxe novas surpresas, e elas estavam disseminadas por diversos setores. A taxa atingiu 0,81% na variação mensal e 4,22% ano contra ano. Os destaques foram os subgrupos proteínas, alimentação fora do domicílio e veículos. A alimentação no domicílio, que vinha pressionando o índice, desacelerou – mas permanece em patamares altos.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por sua vez, registrou em novembro uma alta de 0,89%, surpreendendo novamente as expectativas. A alimentação no domicílio e os combustíveis de veículos exerceram grandes pressões sobre o índice, sendo os maiores destaques na análise dos números. No entanto, foi registrada alta também na média dos diferentes núcleos de preços acompanhados pelo Banco Central – núcleos estes que, por definição, minimizam nos seus indicadores agregados a influência de itens de maior volatilidade. O IPCA para os últimos 12 meses chegou a 4,31%, contra os 3,92% registrados em outubro.

Soma-se a esse cenário uma notícia que também teve impacto sobre a inflação, por se traduzir em um aumento nos preços da energia elétrica. Após reunião extraordinária, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) anunciou no dia 30 de novembro o acionamento da chamada bandeira vermelha patamar 2 durante todo o mês de dezembro, o que resultará no encarecimento das contas de luz em R$ 6,24 a cada 100 kWh consumidos. Isso fez com que as projeções do IPCA para 2020 tivessem que ser revisadas para cima, levando o consenso de mercado para além de 4,0%. A medida da ANEEL, entretanto, não deve ter efeitos sobre a inflação de 2021, já que o próprio anúncio de novembro prevê um viés deflacionário a caminho.

Tudo somado, continuamos projetando um cenário de maior inflação no curto prazo; com altas transitórias que devem ser normalizadas ao longo de 2021.

Nas carteiras, aumentamos a nossa exposição à renda variável por enxergarmos um cenário global com menos incertezas políticas e com o início do auspicioso processo de vacinação da população contra o SARS-CoV-2. No entanto, continuamos carregando proteções para as nossas posições em bolsa local.

Agradecemos a leitura e até a próxima!