Carta Loyall Outubro 2020

  • 13 de outubro de 2020
  • Cartas
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Ativos globais refletem o aumento nas incertezas, e a agenda fiscal segue em foco no Brasil

Tanto o mercado local quanto os mercados internacionais apresentaram desempenho negativo no mês de setembro. O índice Ibovespa registrou queda de 4,8% no período, chegando a 94.603 pontos. Em mais um mês de alta, o dólar subiu 2,5%, encerrando o período cotado a R$ 5,65. 

Esse desempenho ocorreu em meio a um crescimento nas incertezas em relação às contas públicas brasileiras e a dúvidas sobre o financiamento do programa Renda Cidadã. O anúncio de que este novo projeto do governo Bolsonaro seria custeado com recursos vinculados ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e a precatórios federais causou um aumento no grau de incerteza dos agentes econômicos quanto à trajetória fiscal do país. Isso acabou por estressar os ativos locais, a despeito do bom desempenho dos mercados internacionais no momento. 

Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 recuou 3,9% durante o mês de setembro, enquanto a Nasdaq apresentou queda de 5,2% – o primeiro recuo mensal desde março. No plano global, os receios quanto a uma possível segunda onda de Covid-19 na Europa cresceram. E, de volta aos Estados Unidos, as negociações entre o Partido Democrata e o Partido Republicano em torno de um novo pacote de estímulos fracassaram, o que reduziu parcialmente o otimismo dos mercados.

Bancos centrais mantêm taxas de juros em níveis baixos

Em linha com as expectativas do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic estável em 2% ao ano em sua reunião de setembro.  O balanço de riscos do órgão aponta para uma incerteza quanto à evolução da retomada da atividade no cenário externo (apesar de esta recuperação estar ocorrendo de forma desigual entre os diferentes setores da economia), para uma possível redução dos estímulos governamentais mundo afora e para as dúvidas quanto à evolução da própria pandemia. Em relação ao Brasil, o Copom relatou enxergar uma elevação da inflação de curto prazo atrelada a uma alta temporária nos preços dos alimentos e também à normalização parcial dos preços de alguns serviços dentro do contexto de recuperação econômica que o país já vive.

No exterior, o mês de setembro contou também com a reunião do banco central norte-americano, o Federal Reserve (Fed). A taxa básica de juros do país foi mantida em um intervalo entre zero e 0,25%, reforçando a mensagem de que níveis próximos a zero deverão ser mantidos até que a inflação consiga atingir uma média de 2% ao ano. Além disso, as projeções do Fed apontam juros estáveis até 2023.

Inflação: subgrupos em alta e núcleos permanecendo em baixa

No início do mês foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, que registrou uma alta mensal de 0,24% e um acumulado de 2,44% em 12 meses. A contagem dos núcleos da inflação – ou seja, dos dados sem os itens mais voláteis – ficou abaixo das expectativas. No entanto, isso não foi suficiente para evitar o surgimento de um estado de alerta quanto ao brusco encarecimento de alimentos como o arroz, por exemplo. Esta alta e o consequente alerta fizeram com que o governo zerasse as tarifas alfandegárias para a importação de até 400 mil toneladas do produto.

Divulgado na quarta-feira dia 30, o índice de inflação IPCA-15 (considerado a prévia da inflação oficial) do mês de setembro registrou alta de 0,45%. Os itens que mais contribuíram para esse resultado foram a gasolina e os subgrupos de alimentação afetados pelo aumento nos preços de commodities agrícolas. Por outro lado, os níveis dos núcleos de inflação ainda permanecem baixos, principalmente por conta do impacto deflacionário da pandemia no setor de serviços subjacentes – que acumula uma queda de 2,2% em 12 meses.

Já o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) apresentou em setembro uma alta de 4,34%, atingindo um acumulado de 17,94% em 12 meses. Este índice (que é 60% baseado no Índice de Preços ao Produtor Amplo, ou IPA) vem sendo pressionado principalmente pelos preços das commodities em dólar.

A corrida eleitoral nos Estados Unidos se intensifica

O mês de setembro viu o primeiro debate das eleições presidenciais norte-americanas, que estão marcadas para o próximo dia 3 de novembro. O candidato republicano e atual presidente Donald Trump enfrentou o democrata Joe Biden em um debate marcado por diversas interrupções e trocas de insultos e acusações. Outro fator que trouxe volatilidade ao mercado foi a notícia de que Trump havia testado positivo para o SARS-CoV-2. Além do cancelamento de compromissos de campanha, a novidade suscitou dúvidas sobre o impacto que o isolamento de Trump teria nessa etapa da corrida eleitoral e sobre o seu desempenho nas eleições. Biden continua com ampla vantagem sobre Trump nas pesquisas de intenção de voto.

Acreditamos que a aproximação da data da eleição deve trazer mais volatilidade aos ativos internacionais e locais. No Brasil, ambos seguem incorporando um maior prêmio de risco por conta da atual baixa visibilidade em relação ao cenário fiscal. Por isso, incluímos ativamente proteções para a nossa exposição a ações nas carteiras, buscando também diversificar a alocação em diferentes ativos e mercados durante este período.

Agradecemos a leitura e até a próxima!