Carta Loyall Janeiro 2020

  • 13 de janeiro de 2020
  • Cartas
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Sumário

Nossos fundos tiveram desempenho positivo e superior aos benchmarks no ano de 2019 como um todo. Ganhamos dinheiro com as nossas posições em bolsa (onde estávamos comprados em Ibovespa e em gestores de ações), em juros (onde estávamos aplicados em juros brasileiros) e com gestores multimercado. Por outro lado, erramos ao prever um dólar mais fraco – a moeda acabou subindo 4% no ano em relação ao real. Por isso o nosso resultado com moedas foi levemente negativo.

A performance em dezembro foi muito boa, ficando acima do CDI e dos benchmarks. Juros, câmbio, bolsa e gestores (tanto de fundos multimercado quanto de ações) contribuíram positivamente para os resultados.

Ainda sobre dezembro, as nossas posições neste mês foram beneficiadas pelo arrefecimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Aproveitamos este movimento para embolsar lucros e reduzir o tamanho das nossas posições. Além disso, montamos uma posição nova que se beneficiará da alta dos juros prefixados longos no Brasil ao mesmo tempo em que servirá de proteção para a posição aplicada em NTN-Bs longas. Continuamos preferindo ativos domésticos aos internacionais.

Para este ano, entendemos que as oportunidades no mercado de juros local serão mais táticas. Já os juros baixos no mundo deverão permitir uma nova – ainda que modesta – aceleração do crescimento global sincronizada à do crescimento doméstico, e com a inflação brasileira sob controle (o que deverá favorecer a queda do dólar e principalmente beneficiar a nossa bolsa). Apesar de otimistas quanto às perspectivas de curto e médio prazo para o Brasil, continuamos carregando alguns seguros para as nossas posições em bolsa e câmbio.

Boa leitura!

No mundo, aceleração cíclica e riscos menores à vista

Nos Estados Unidos, o ano passado foi marcado por uma reversão da política monetária do banco central americano (Fed), que encerrou o ciclo de alta dos juros e passou a cortá-los. As altas que vinham sendo realizadas até 2018 geraram uma desaceleração cíclica na economia norte-americana, desaceleração esta que foi intensificada pela guerra comercial entre Estados Unidos e China. Com isso, o Fed precisou retomar a queda de juros de forma a combater uma eventual desaceleração mais acentuada do que o planejado. E agora, com as diversas ações de estímulo realizadas ao longo de 2019 por diversos bancos centrais mundo afora, a economia global deverá reagir, vivendo neste ano de 2020 uma aceleração cíclica – como indicam as últimas leituras dos PMIs (indicadores de atividade industrial) globais, resumidas na figura abaixo.

Esta aceleração no crescimento global deverá beneficiar os mercados de ações (especialmente nos países emergentes, sendo que o melhor cenário seria aquele onde a aceleração é gradual e acompanhada de uma inflação dentro das metas), as commodities e as moedas emergentes. As commodities, aliás, deverão ter um desempenho ainda melhor caso a inflação suba mais rápido que o esperado.

Mas nenhum cenário – por mais otimista que pareça – é isento de fatores capazes de adicionar turbulência à trajetória esperada. Entendemos que a guerra comercial, a eleição presidencial nos Estados Unidos e a possibilidade de agravamento dos conflitos geopolíticos representam riscos gerenciáveis e de impacto pequeno. Temos a opinião de que o grande risco a ser monitorado é a possibilidade de uma alta rápida na inflação dos Estados Unidos, que pegaria todo mundo desprevenido e causaria uma queda nos preços das ações e dos títulos de renda fixa mundo afora. Estamos e permaneceremos de olho.

No Brasil, a agenda das outras reformas

No Brasil, o ano de 2019 teve como marca a aprovação da reforma da previdência e a continuação da recuperação da economia. O desemprego vem diminuindo em uma velocidade condizente com a inflação dentro da meta, tendo atingido 11,4% em dezembro – contra 13,3% em junho de 2017. A concessão de crédito e as vendas no varejo também têm mostrado recuperação, e a confiança tanto do consumidor quanto da indústria têm retornado a patamares anteriores aos da crise que se instalou de 2014 em diante; como mostra o gráfico abaixo.

A agenda de reformas pós-previdência deverá enfrentar dificuldades para avançar. Apesar de o relacionamento entre executivo e legislativo ter melhorado na comparação com o começo do mandato do presidente Jair Bolsonaro, a proximidade das eleições municipais poderá levar a atrasos na tramitação das propostas de reformas no Congresso.

Já o pacote de privatizações e concessões lançado pelo governo no ano passado deverá continuar sem maiores obstáculos. Só os investimentos previstos nas concessões já deverão gerar aproximadamente 75 bilhões de reais, o que irá ajudar na retomada da economia e atrair investimento estrangeiro ao país.

Embora ainda lenta, a recuperação da economia tem se mostrado consistente e sustentável. Acreditamos que esta recuperação continuará acontecendo sob a forma de taxas moderadas, com inflação sob controle e juros baixos – o que resultará em um cenário positivo para o mercado de ações.

Seguimos com posições compradas em bolsa e vendidas em dólar contra o real e que devem ser beneficiadas tanto pelo cenário global quanto pelo local. Na renda fixa, por sua vez, temos operado mais taticamente e sem grandes posições direcionais.

Agradecemos a leitura e até a próxima!