Carta Loyall Dezembro 2019

Sumário

No mês de novembro os fundos da Loyall fecharam abaixo dos benchmarks. A posição em bolsa – tanto a proprietária quanto a seleção de gestores – contribuiu positivamente para os resultados. As posições em juros, câmbio e gestores multimercado, por sua vez, contribuíram negativamente.

O fato de termos reduzido a nossa posição aplicada em juros e estarmos vendidos em dólar via opções evitou perdas maiores. Além disso, aproveitamos o momento de stress no câmbio para aumentar a nossa posição vendida em dólar.

Diversos fatores impactaram negativamente os resultados do mês: ruídos da guerra comercial entre Estados Unidos e China, protestos no Chile, frustração com o mega leilão de petróleo, o fim da prisão após condenação em segunda instância, entre outros. Todos estes problemas penalizaram os países emergente em geral – e ainda mais o Brasil.

Por outro lado, no âmbito da guerra comercial foram anunciados os termos da primeira fase do acordo entre China e Estados Unidos, em um entendimento que se revelou melhor do que esperávamos. Além disso, entendemos que o Federal Reserve, o banco central norte-americano, deve manter os estímulos à economia do país pelos próximos 12 meses. O Banco Central do Brasil, por sua vez, está na fase final do seu ciclo de corte nas taxas de juros e deverá mantê-las em patamares baixos por um período considerável.

Tudo isto somado reforça nossa visão de aceleração do crescimento tanto no mundo quanto no Brasil, o que deverá favorecer a nossa posição comprada em bolsa e vendida em dólar. Nos mercados de juros, no entanto, pretendemos ter posições mais táticas e pequenas.

Boa leitura!

Diversos ruídos atrapalharam a performance em novembro

Eventos adversos internos e externos produziram frustrações e incertezas no mês de novembro. O resultado foi uma performance ruim, especialmente no que diz respeito ao câmbio.

No Brasil, por sua vez, o megaleilão dos excedentes do contrato de cessão onerosa realizado no dia 6 de novembro frustrou as expectativas – especialmente no que diz respeito aos investimentos de companhias estrangeiras. Logo em seguida, no dia 7 de novembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) reviu o seu entendimento sobre a validade da prisão após condenação em segunda instância – transmitindo insegurança jurídica e, portanto, contribuindo para a desvalorização adicional dos ativos brasileiros.

Um pouco mais tarde, no domingo 10, o presidente da Bolívia Evo Morales renunciou em meio a intensos protestos e acusações de fraude eleitoral.

No Chile, os protestos que vêm acontecendo desde 7 de outubro chegaram ao centro financeiro da capital, Santiago – que foi, aliás, palco para o maior de todos eles, que reuniu mais de 1,2 milhão de pessoas no dia 25 daquele mês. A continuação dos protestos durante novembro acabou aumentando a pressão sobre o peso chileno, que já vinha sofrendo um processo de desvalorização.

Por conta deste cenário de incertezas, os investidores globais reduziram as suas exposições aos países emergentes, principalmente aos latino-americanos. Isto fez com que a região inteira sofresse conjuntamente. Apesar de os países mais afetados por problemas internos – como é o caso do Chile – terem sofrido mais com este movimento, o Brasil, por ser o mercado de maior porte e maior liquidez da região, acabou sendo penalizado em excesso.

De qualquer forma, entendemos que todos estes eventos devem ser analisados como ruídos de curto prazo – e que não deverão afetar, portanto, nossa visão e investimentos de longo prazo.

Gráfico 1: Grau de desvalorização do real (BRL) e do peso chileno (CLP) em relação ao dólar (USD) durante o mês de novembro. Fonte: Bloomberg

Aceleração do crescimento global em 2020


No Brasil, um novo ciclo de crescimento está em curso. Com os juros no menor patamar da história, inflação baixa e sob controle, a dívida pública sendo gerenciada e a agenda reformista em andamento, o país teve sua perspectiva para a nota de crédito elevada pela Standard & Poor’s.

O desemprego vem caindo lentamente. O consumo, por sua vez, já vem demonstrando sinais de reaquecimento. Dados preliminares indicam que as vendas durante a Black Friday deste ano foram as melhores em muito tempo, enquanto dados oficiais de vendas no varejo também já mostram uma retomada consistente nos últimos meses.

Após alguma frustração com os números de crescimento do PIB em 2019, as expectativas para 2020 voltaram a subir. Diferentemente do que ocorreu em um passado recente, no entanto, este próximo ciclo deverá ser impulsionado pelo consumo e pelo investimento privado – dado que o governo precisa reduzir os seus gastos (e tem feito isto).

A consequência maior desta mudança no mix de fatores responsáveis pelo crescimento será uma retomada mais gradual e sustentável do que se este movimento contasse também com um aumento nos gastos públicos, como vinha acontecendo anteriormente.

No mundo, durante todo o ano de 2019 a economia global foi afetada pela escalada da guerra comercial – que já dura quase dois anos – entre Estados Unidos e China. Apesar de o impacto ter ocorrido de forma generalizada, os setores industriais e de comércio internacional foram, como era de se esperar, mais penalizados. A primeira parte do acordo de trégua, no entanto, acaba de ser anunciada.

Surpreendentemente, o governo dos EUA concordou em reduzir parte das tarifas que haviam sido impostas nos últimos meses a produtos chineses. A China, por sua vez, se comprometeu a importar mais produtos agrícolas dos Estados Unidos.

Como já havíamos comentado em cartas passadas, este cenário de guerra comercial levou diversos bancos centrais do mundo a aumentar os estímulos às suas economias de forma a tentar evitar uma desaceleração mais brusca. Dados mais recentes nos permitem concluir que estes estímulos estão surtindo efeito e uma recuperação econômica já é visível no horizonte – o que deverá ser positivo tanto para as bolsas quanto para as moedas dos países emergentes.

Gráfico 2: O Índice de Gestores de Compras (PMI) Global do setor de manufatura do J.P. Morgan voltou para o patamar acima de 50, indicando crescimento. Fonte: Bloomberg

Choques de curto prazo na inflação

Os efeitos do choque nos preços da carne seguiram em novembro. Há meses a queda no suprimento de proteína animal decorrente do surto da febre suína nas criações de porcos na China tem afetado o mercado global, levando a uma alta de preços que agora chega também no Brasil. Para se ter uma ideia do tamanho do aumento, o preço da carne de porco na China subiu 110% nos últimos 12 meses.

Olhando para frente, esta pressão deverá arrefecer na medida em que a produção de carne suína volte a crescer – o que tende a derrubar o preço das carnes. Assim, é provável que esta normalização do mercado em direção a preços menores do que os atuais atue como uma força deflacionária em 2020, contribuindo para a manutenção da inflação e das taxas de juros brasileiras em patamares baixos no ano que vem.

Gráfico 3: CPI China, IPCA Brasil, Índice BoiGordo ESALQ. Fonte: Bloomberg, ESALQ/B3

Agradecemos a leitura e até a próxima!