Carta Loyall Novembro 2019

  • 21 de novembro de 2019
  • Cartas
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Sumário

Os fundos geridos pela Loyall não só apresentaram retorno positivo durante o mês de outubro como ficaram acima dos seus benchmarks. Tanto a seleção dos gestores quanto a alocação proprietária nos mercados de juros, câmbio e bolsa contribuíram positivamente para estes resultados.

Através de operações que se beneficiam com a alta dos juros futuros de curto prazo, neutralizamos completamente as posições aplicadas em juros prefixados. Além disso, reduzimos um pouco o nível de proteção da posição comprada em ações brasileiras.

No Brasil, o megaleilão do pré-sal decepcionou, mas não deixou de resultar numa importante fonte de recursos que irá ajudar a melhorar a situação fiscal do país. Passada a reforma da previdência, a agenda de reformas subsequentes é grande e, caso aprovada, melhorará o pano de fundo para os investimentos produtivos e o emprego no médio e longo prazo. Já o Banco Central indicou que deve cortar a Selic para 4,5% em dezembro, sendo que novas reduções dependerão dos acontecimentos.

No cenário internacional, por sua vez, as incertezas decorrentes das negociações comerciais entre os Estados Unidos e a China ainda incomodam, mas os governos dos dois países têm acenado com a possibilidade de um acordo parcial já no curto prazo. E os dados econômicos mundiais começam a dar sinais de que um novo ciclo de crescimento global parece estar se desenhando.

Boa leitura!

No Brasil, formam-se as bases para um futuro mais promissor

Realizado no dia 6 de novembro, o megaleilão dos excedentes do contrato de cessão onerosa firmado entre governo e Petrobras em 2010 rendeu uma arrecadação de R$ 69,96 bilhões em bônus de assinatura pagos pelo direito de exploração dos campos de Búzios e Itapu, os dois maiores do pré-sal e do país. Este dinheiro entrará imediatamente nos caixas do governo e representará um alívio no plano fiscal desse ano. Apesar de esta soma fazer do referido evento o maior leilão de petróleo na história, o fato de duas das quatro áreas ofertadas não terem sido arrematadas e de apenas duas estatais chinesas e a Petrobras terem feito ofertas frustraram algumas expectativas. Para os próximos leilões, melhorias regulatórias são bem vindas.

Em outro plano, a agenda pós-reforma da previdência vem ganhando corpo. Entre as propostas de emenda constitucional (PECs) na mesa estão a reforma administrativa; a PEC Emergencial (que reduz despesas obrigatórias do governo); a PEC que desvincula, desindexa e desobriga gastos no orçamento; o Pacto Federativo (que incluirá a nova divisão dos recursos do pré-sal) e o programa de ajuda aos estados. Lideranças políticas do governo chegaram a anunciar que tanto estes pacotes como a própria reforma tributária – em torno da qual ainda está sendo construído um consenso – deverão ser apreciados e votados até o primeiro semestre do ano que vem, porém, temos dúvidas quanto à velocidade de apreciação da pauta.

O Ibovespa se aproximou no começo de novembro da marca dos 110 mil pontos, refletindo o otimismo dos investidores locais com o rumo da economia brasileira. Porém, o estrangeiro está mais cético e continua esperando uma melhoria no crescimento econômico brasileiro para comprar ações brasileiras.

Continuamos carregando posição relevante comprada em ações brasileiras e reduzimos um pouco as proteções devido ao cenário global aparentemente mais favorável para emergentes e a aprovação da reforma da previdência. Mesmo assim, não podemos esperar que os preços das ações subam todos os dias pois os ruídos locais e globais sempre estarão por aí.

Tensões no mundo impactam ativos no Brasil

Recentemente, o Ibovespa caiu mais de 3% e o dólar fez nova máxima histórica. Alguns acontecimentos recentes pesaram para esse desempenho: i) frustração com a fraca participação estrangeira nos leilões de petróleo; ii) mudança no entendimento do Supremo sobre a prisão após condenação em segunda instância; iii) crise política em alguns países da América do Sul e risco de contágio para o Brasil.

No Chile, após quase um mês de protestos, o governo anunciou a realização no ano que vem de um plebiscito sobre a elaboração de uma nova Constituição. Enquanto a incerteza e os ânimos tendem a se acalmar no Chile, na Bolívia pós-renúncia do ex-presidente Evo Morales a situação deve permanecer tensa e confusa enquanto novas eleições não forem convocadas.

A guerra comercial entre Estados Unidos e China ainda preocupa, mas um acordo inicial já parece no horizonte, como indicado por autoridades dos dois países. Além disso, com as eleições presidenciais americanas do ano que vem, não interessa agora à Donald Trump radicalizar as negociações que comprometeria o crescimento da economia e suas chances de reeleição. Do ponto de vista brasileiro, a preocupação maior em relação à guerra comercial é a expectativa de compra, por parte da China, de US$ 50 bilhões em commodities americanas e que poderia reduzir as exportações brasileiras.

Gráfico 1: Índices MSCI Mundo, Brazil e Chile. Fonte: Bloomberg

BCs do Brasil e Estados Unidos definem seus próximos passos

Em decisão já esperada pelo mercado, o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) cortou mais uma vez, no último dia 30, a taxa referencial de juros – que foi agora para a faixa entre 1,5% e 1,75% ao ano. Apesar de a economia norte-americana ainda estar crescendo a um ritmo moderado e de o consumo das famílias se manter forte, a economia desacelerou, fazendo com que o Fed visse a necessidade de ajustar a taxa de juros básica.

O nível mais baixo dos juros nos EUA deve ser benéfico para os mercados emergentes e, se os dados econômicos vindouros demandarem novos cortes, o Fed indicou que estará pronto para agir.

No Brasil, o Banco Central indicou que deverá cortar a taxa básica de referência, a Selic, para 4,5% em dezembro e, novas reduções dependerão dos dados econômicos futuros. No mercado futuro os preços embutem além do corte de 0,50% em dezembro uma probabilidade de aproximadamente 50% de um corte adicional de 0,25% em fevereiro.

Entendemos que os juros de curto prazo possuem pouco prêmio para carregar posições aplicadas, já os juros mais longos ainda possuem algum prêmio. Por isso, zeramos a posição aplicada com vencimento em jan/22 e montamos posições tomadas em juros curtos e aplicadas em juros mais longos.

Gráfico 2: Taxa SELIC. Fonte: BCB

Agradecemos a sua atenção e até a próxima!