Carta Loyall Setembro 2019

  • 16 de setembro de 2019
  • Cartas
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Sumário

Durante o mês de agosto a maioria dos fundos administrados pela Loyall apresentou retornos positivos, mas abaixo do CDI. Desta vez, a nossa alocação tática contribuiu negativamente, enquanto a seleção dos gestores de bolsa e multimercado contribuiu positivamente.

O desempenho do Índice Ibovespa em agosto ficou em -0,7%, contra +1,8% do Índice S&P 500. O Dólar Ptax (taxa de câmbio calculada diariamente pelo Banco Central) fechou o mês com alta de 9,9%. O Índice de Renda Fixa do Mercado (IRF-M) também apresentou variação positiva (em 0,26%), enquanto o IMA-B, índice da Anbima que acompanha títulos atrelados à inflação, ficou em -0,4%. Por último, o CDI do período foi de +0,5%.

Durante o mês, reduzimos marginalmente a alocação em juros nominais e aumentamos a de bolsa. Mantivemos a alocação em juros reais longos e alongamos a posição vendida em dólar via opções. Continuamos zerados no mercado internacional.

Como o próprio Índice Ibovespa mostra, a bolsa brasileira continuou caindo. Optamos por aumentar um pouco mais as nossas alocações neste ativo por entendermos que os fundamentos são muito favoráveis para os próximos anos.

Alongamos as nossas opções de venda de dólar para fevereiro de 2020, dado que os principais bancos centrais do mundo estão, no momento, fazendo uso de instrumentos que tem como objetivo estimular as economias dos seus países. Isto deverá favorecer a busca por ativos de maior risco e a consequente queda do dólar contra o real.

Com a queda das taxas de juros nominais no Brasil, temos vislumbrado uma menor expectativa de retorno na renda fixa. Daí a nossa propensão a reduzir as alocações em juros e aumentar as alocações comprada em bolsa e vendida em dólar contra o real.

Nas próximas páginas você encontrará mais detalhes sobre nossas visões de cenário e mercado.

Boa leitura!

Carta Mensal

Juros baixos por ainda bastante tempo no Brasil

O relatório da reforma da Previdência foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no último dia 4 e já está sendo discutido em plenário. As mudanças sofridas pelo projeto na casa fizeram com que a estimada economia de recursos por parte da União passasse de 933,5 bilhões de reais para 876 bilhões de reais. Caso os estados e municípios optem por entrar também na reforma, haverá uma economia extra de 350 bilhões de reais.

Apesar do efeito positivo de tudo isto sobre as expectativas dos investidores e empresários, os ganhos para a redução da dívida pública tendem a ocorrer no médio e longo prazo. Aos poucos a melhora nas expectativas deverá fazer com que a atividade econômica melhore lentamente.

Não há ameaça inflacionária em um horizonte visível. O IPCA apresentou uma variação de 0,11% em agosto, o que mostra o bom comportamento da inflação no presente momento.

No dia 18 de setembro será realizada mais uma reunião do Copom. A expectativa geral do mercado é de que haverá um corte de 50 pontos-base na Taxa Selic, atualmente em 6% ao ano. Por conta do bom comportamento da inflação, os juros deverão permanecer em um patamar baixo por um período prolongado, reduzindo, portanto, a atratividade da renda fixa.

Gráfico 1: Histórico da taxa Selic e expectativas do mercado. Fonte: BCB, B3

Bancos centrais reagem à guerra comercial

Os bancos centrais seguem agindo para estimular as suas economias, buscando também compensar os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China – o maior fator de risco para a economia mundial atualmente.


Os efeitos desta briga já podem ser sentidos na queda da corrente de comércio global. O setor mais afetado até agora tem sido o industrial (manufatura), o que faz com que as empresas deste grupo estejam diminuindo os seus investimentos.

Outra consequência da guerra comercial neste mês de agosto foi a fuga dos investidores dos ativos mais arriscados para os mais seguros, resultando na alta do dólar em todo o mundo. A relação entre a moeda norte-americana e o yuan chinês chegou inclusive a quebrar a barreira psicológica de um para sete.

O real (BRL), por sua vez, sofreu em dobro por conta da crise econômica e política na Argentina, que anunciou a reestruturação da sua dívida no dia 28 de agosto. O movimento de depreciação do real foi tão intenso que o Banco Central do Brasil voltou a vender dólares no mercado. Desta vez, ao invés de fazer uso de derivativos, como de costume, a instituição vendeu dólar à vista das reservas cambiais.

Apesar da atual instabilidade provocada pela guerra comercial, o crescimento econômico mundial deverá se acelerar graças aos estímulos dos bancos centrais e também ao recente interesse em dialogar demonstrado tanto pelos Estados Unidos quanto pela China. Além disso, a desaceleração da economia global tem sido mais branda do que o que vinha sendo antecipado, e os dados têm superado as expectativas iniciais dos analistas. Podemos visualizar isto através do índice de surpresas econômicas globais, que mostra melhora recente.

Gráfico 2: Índice de surpresas econômicas globais. Fonte: Bloomberg

Continuamos otimistas em relação às ações brasileiras

As empresas brasileiras do setor de commodities tiveram uma performance abaixo do esperado durante o último trimestre (ver gráfico abaixo). O lucro do Índice Ibovespa, que acabou ficando 16,8% menor do que as previsões indicavam, teria sido positivo em 1,5% caso fossem excluídas dos cálculos as empresas deste setor.

O mercado de commodities vem sendo especialmente afetado pela desaceleração da economia global e pelos movimentos de guerra comercial vindos dos Estados Unidos e da China. Espera-se, no entanto, que a recuperação da economia mundial ajude as empresas do setor a alcançar melhores resultados nos próximos trimestres.

As companhias dos setores elétrico, de alimentos e industrial, por sua vez, foram os destaques positivos do período. Por isso, continuamos otimistas com a dinâmica das empresas brasileiras que, a despeito da atualmente lenta atividade local, tem conseguido entregar resultados consistentes.

Com a recente queda da bolsa, as opções de venda de Ibovespa funcionaram muito bem na suavização das oscilações do patrimônio. Aproveitamos também a oportunidade para aumentar a posição comprada em ações brasileiras e reduzir ligeiramente a alocação em juros nominais (taxas fixas).

Gráfico 3: Quanto cada setor contribuiu para a surpresa no lucro do Ibovespa em relação ao esperado por analistas. Fonte: Bloomberg

Agradecemos a sua atenção e até a próxima!