Carta Loyall Agosto 2019

Sumário

Em julho, os fundos geridos pela Loyall tiveram performance acima do CDI e de seus respectivos benchmarks. Tanto a seleção de gestores quanto nossa alocação tática contribuíram positivamente.

Recentemente fizemos dois principais ajustes nos portfólios: i) aproveitamos a queda do Ibovespa para reforçar a alocação em bolsa brasileira; ii) realizamos lucro na posição de NTN-Bs mais curtas e passamos a alocar em vencimentos mais longos um % do PL menor.

Contribuiu positivamente para o resultado a posição aplicada em juros fixos no Brasil (NTN-B e pré) e pelo fato do Banco Central ter iniciado um novo ciclo de corte de juros, como esperávamos. Acreditamos em mais um corte de juros até o final do ano, sobretudo pela questão de a inflação estar sob controle e a atividade econômica ainda não ter mostrado reação.

No mundo, a guerra comercial entre EUA e China tem desacelerado o setor manufatureiro, diante disso, diversos Bancos Centrais, dentre eles o Fed, iniciaram um ciclo de corte de juros. Nos últimos capítulos, Trump anunciou que poderia fazer mais uma nova rodada de elevação de tarifas e a China retaliou: disse que iria deixar de importar produtos agrícolas dos EUA e passou a depreciar o yuan, como forma de mostrar que tem armas efetivas para combater o aumento de tarifas. Mais recentemente, os dois países anunciaram que retomarão as negociações.

Esses ruídos da guerra comercial e, mais recentemente, das eleições argentinas, têm mantido o dólar volátil. Mesmo com a aprovação da reforma da previdência na Câmara dos Deputados e o início de um ciclo de corte de juros nos EUA, ainda não temos conseguido capturar resultado, nesse mercado, como gostaríamos.

Continuamos buscando navegar a melhora estrutural do Brasil sem depender tanto de quando a, esperada, recuperação econômica aparecerá. Para isso, temos carregado posições compradas em bolsa e aplicadas em juros. Também temos opções de venda de dólar e de Ibovespa, ambas fora do dinheiro, como forma de: i) acelerar os ganhos no caso de uma melhora repentina do humor global (queda do dólar) e; ii) proteger os portfolios na ocorrência de algum evento extremo local ou internacional, que resulte em uma queda substancial da bolsa.

Nas próximas páginas, você encontrará mais detalhes sobre nossas visões de cenário e mercado.

Boa leitura!

Cenário global também favorece queda dos juros por aqui

O setor manufatureiro global está desacelerando devido a guerra tarifária entre EUA e China. Recentemente, autoridades dos dois países anunciaram a intenção de reiniciar as negociações, o que voltou a animar os mercados, entretanto, o estrago na atividade manufatureira já foi feito. Diante disso, diversos países estão adotando uma postura mais voltada ao estímulo de suas economias. No final de julho, EUA e o Brasil se juntaram ao time.

O Fed anunciou um corte, por precaução, de 0,25 pontos na taxa básica. Mesmo com o desemprego baixo, a inflação não acelera e os economistas não têm um consenso para explicar o fenômeno: novas tecnologias, demografia, crescimento mais moderado que o potencial são alguns dos candidatos.

No Brasil, o Banco Central reduziu a Selic em 0,5 ponto percentual, levando-a ao menor patamar histórico, 6% ao ano, numa continuação do movimento iniciado em 2016. Diante de um cenário de reforma da previdência bem encaminhada, expectativa de inflação dos próximos anos na meta ou abaixo dela, a taxa de desemprego continua ainda elevada e uma capacidade ociosa alta da indústria, acreditamos que o ambiente global de juros baixos favorece novo ajuste.

Esse corte ocorrido em julho já estava bem refletido nas taxas de mercado e a discussão agora é sobre a duração do ciclo. O Banco Central já indicou pelo menos mais um corte na reunião de setembro e entendemos que o ciclo pode se estender para uma Selic ao redor de 5%. Depois disso, concluímos que a Selic deve permanecer baixa por um longo período.

Continuamos alocados em juros fixos brasileiros, tanto prefixado (mais curtos) quanto indexado à inflação (mais longos), o que tem nos ajudado a navegar bem nesse ambiente de atividade econômica lenta e inflação baixa.

Aumentamos posição na piora dos mercados

Voltamos a aumentar a posição em bolsa brasileira no início do mês de agosto, após a recente correção, pois entendemos que os preços ficaram mais atrativos. Os fundamentos continuam positivos: i) a Reforma da Previdência foi para o Senado; ii) novas reformas devem seguir na pauta do Congresso; iii) o Banco Central iniciou um novo ciclo de cortes de juros; iv) o aumento dos estímulos de Bancos Centrais pelo mundo deve beneficiar os países emergentes. Por outro lado, os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China atrapalham um otimismo global mais generalizado, mas avaliamos que os efeitos devem ser limitados em relação à economia brasileira.

Temos avaliado que os impactos da guerra comercial têm sido muito concentrados nos índices de confiança de setores industriais de países como os Estado Unidos e Alemanha, que tiveram queda relevante. Porém, nos setores ligados a serviços, que representam a maior parte do PIB desses países, os impactos têm sido menores e, como consequência, o crescimento não têm piorado como se temia inicialmente.

Mesmo assim, a disputa comercial tem derrubado expectativas de crescimento pelo mundo, provocando bancos centrais a aumentarem os estímulos monetários por meio de cortes de juros. Uma vez que esses juros menores ajudam a estabilizar a economia global, é criado um ambiente benéfico para ativos brasileiros.

No Brasil, apesar do pequeno impacto da guerra comercial, as expectativas de crescimento também foram muito reduzidas durante o ano, mas o novo ciclo de cortes de juros iniciado pelo Banco Central, somado à aprovação das reformas pelo Congresso, devem estimular os investimentos privados e a economia nos próximos trimestres, o que nos deixa mais confortáveis em termos uma alocação maior em bolsa nesse momento.

Agradecemos a sua atenção e até a próxima!