Carta Loyall Julho 2019

  • 16 de julho de 2019
  • Cartas
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Sumário

Em junho, assim como no primeiro semestre, os fundos geridos pela Loyall tiveram performance acima do CDI e de seus benchmarks. Tanto a seleção de gestores quanto nossa alocação direta em ativos contribuíram positivamente.

Durante junho, alongamos a posição aplicada em juros nominais com vencimento em jan/21 para jan/22. As taxas de juros no mercado passaram a refletir diversos cortes da Selic em 2019, como esperávamos, mas a Selic deve permanecer baixa por um longo período.

A reforma da Previdência parece robusta e bem encaminhada, o que tem contribuído para aumentar a confiança no país. Essa melhora já pode ser percebida no Banco Central, que deve iniciar um novo ciclo de cortes de juros no final de julho. Num segundo momento, o natural é que o crescimento econômico volte a aparecer.

A dinâmica global tem sido favorável ao Brasil e países emergentes: a China está estimulando a economia, o Fed deve iniciar um ciclo de corte de juros nos EUA e a zona do Euro e o Japão devem manter juros baixos por um longo período.

No ano, até 28/jun, o dólar cai 1,1%, o Ibovespa (índice das principais ações da bolsa de São Paulo) sobe 14,88%, e, o IMA-B (índice das NTN-Bs, títulos públicos que remuneram IPCA + taxa fixa) valoriza impressionantes 15,23%, com menos de um terço do risco (desvio padrão dos retornos diários) do Ibovespa!

Buscamos sempre construir portfólios equilibrados e que naveguem bem na maioria dos cenários. Temos carregado posições aplicadas em juros nominais e reais, comprada em bolsa brasileira e vendida em dólar contra o real.

Entendemos que a reforma da previdência será aprovada em 2019 e o ambiente global não será restritivo. Assim, o que nos resta é ponderar a atividade econômica no Brasil: i) se a retomada da economia doméstica for lenta e sem inflação, a posição aplicada em juros será beneficiada; ii) se a atividade vier mais forte e mais rápida que esperada, a posição comprada em bolsa e vendida em dólar serão favorecidas. Nesse ano, como o crescimento tem decepcionado, as posições aplicadas em juros têm sido o destaque.

Nas próximas páginas, você encontrará mais detalhes sobre nossas visões de cenário e mercado. Boa leitura!

E agora Paulo?

Com a aprovação em 1º turno da Reforma da Previdência, na Câmara dos Deputados, a equipe do Ministro Paulo Guedes já trabalha em um conjunto de estímulos para destravar a economia.

Para equalizar o alto endividamento público, o governo precisa reduzir custos e aumentar as receitas. A reforma da Previdência atua do lado da redução de custos, já o crescimento econômico e as privatizações devem aumentar a arrecadação.

O governo planeja arrecadar R$100 bilhões com o programa de desestatização que, além de ajudar na parte fiscal de curto prazo, melhora também o ambiente competitivo e a produtividade do país, efeitos que devem ser sentidos com o passar dos anos. Como exemplo, podemos citar a venda da TAG: nesse caso, a Petrobras deixou de ser monopolista do setor de gás e agora outros produtores poderão disputar esse mercado, oferendo o produto por preços mais competitivos. A economia gerada no bolso do consumidor pode ser utilizada como poupança, investimento ou consumo, fomentando a economia como um todo.

Também está em discussão a Reforma Tributária, necessária para melhorar a produtividade e competitividade do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, as empresas brasileiras gastam anualmente R$60bi somente para conseguir pagar os impostos e tributos brasileiros.

Essa reforma não será fácil, principalmente por causa dos impostos estaduais, mas o momento é favorável para negociar com os Estados, que estão precisando de dinheiro. Uma alternativa seria começar simplificando os impostos federais: PIS, COFINS e ISS, que se tornariam o IBES, imposto sobre bens e serviços. Assim o contribuinte pagaria apenas um imposto, com uma única alíquota, assim como funciona o Simples Nacional.

A equipe econômica também trabalha com a liberação de aproximadamente R$20bi do PIS/Pasep e parte do FGTS para a população. Também é cogitado destinar parte dos recursos do projeto de desestatização para o programa Minha Casa Minha Vida.

Independente do Ministério da Economia, o Banco Central indicou que deve iniciar um novo ciclo de corte de juros, tendo percebido avanço na reforma da Previdência, uma vez que a atividade econômica está demorando para aparecer e as expectativas de inflação estão abaixo da meta.

Sendo assim, acreditamos que este conjunto de medidas tem o potencial de destravar o crescimento econômico e endereçar o problema fiscal do país, o que atrairia capital estrangeiro, gerando o chamado ciclo virtuoso na economia, onde cada acontecimento tende a melhorar o próximo.

Bolsa Brasileira é destaque , pero no mucho

Muitos investidores têm atribuído a recente alta do Ibovespa exclusivamente à aprovação da reforma da previdência em 1º turno na Câmara.

Como já abordado nessa e em cartas passadas, a reforma da previdência é essencial para a sustentabilidade fiscal, confiança dos investidores e crescimento do Brasil nos próximos anos. Mas seria ela o único fator que influencia o desempenho da bolsa brasileira?

Gráfico 1: Variação percentual das bolsas em 2019 (até 15/jul) . Fonte: Bloomberg

Analisando a performance das bolsas globais em moeda local no ano, podemos notar que a recente performance positiva do Ibovespa não ocorreu sozinha – outras bolsas também tiveram bons desempenhos no ano.

Eventos políticos, positivos ou negativos, afetaram e vão continuar afetando a performance do Ibovespa ao longo do tempo, mas é importante lembrar que o Brasil não é uma ilha, e que o desempenho dos ativos locais depende muito do ambiente externo.

Além da aprovação da reforma da previdência e da atividade econômica, é importante acompanhar os desdobramentos da política monetária americana e da guerra comercial entre China e EUA. Até agora, entendemos que o cenário internacional deve continuar sendo benéfico para os ativos brasileiros.