Carta Loyall Julho 2019

Sumário

Em junho, assim como no primeiro semestre, os fundos geridos pela Loyall tiveram performance acima do CDI e de seus benchmarks. Tanto a seleção de gestores quanto nossa alocação direta em ativos contribuíram positivamente.

Durante junho, alongamos a posição aplicada em juros nominais com vencimento em jan/21 para jan/22. As taxas de juros no mercado passaram a refletir diversos cortes da Selic em 2019, como esperávamos, mas a Selic deve permanecer baixa por um longo período.

A reforma da Previdência parece robusta e bem encaminhada, o que tem contribuído para aumentar a confiança no país. Essa melhora já pode ser percebida no Banco Central, que deve iniciar um novo ciclo de cortes de juros no final de julho. Num segundo momento, o natural é que o crescimento econômico volte a aparecer.

A dinâmica global tem sido favorável ao Brasil e países emergentes: a China está estimulando a economia, o Fed deve iniciar um ciclo de corte de juros nos EUA e a zona do Euro e o Japão devem manter juros baixos por um longo período.

No ano, até 28/jun, o dólar cai 1,1%, o Ibovespa (índice das principais ações da bolsa de São Paulo) sobe 14,88%, e, o IMA-B (índice das NTN-Bs, títulos públicos que remuneram IPCA + taxa fixa) valoriza impressionantes 15,23%, com menos de um terço do risco (desvio padrão dos retornos diários) do Ibovespa!

Buscamos sempre construir portfólios equilibrados e que naveguem bem na maioria dos cenários. Temos carregado posições aplicadas em juros nominais e reais, comprada em bolsa brasileira e vendida em dólar contra o real.

Entendemos que a reforma da previdência será aprovada em 2019 e o ambiente global não será restritivo. Assim, o que nos resta é ponderar a atividade econômica no Brasil: i) se a retomada da economia doméstica for lenta e sem inflação, a posição aplicada em juros será beneficiada; ii) se a atividade vier mais forte e mais rápida que esperada, a posição comprada em bolsa e vendida em dólar serão favorecidas. Nesse ano, como o crescimento tem decepcionado, as posições aplicadas em juros têm sido o destaque.

Nas próximas páginas, você encontrará mais detalhes sobre nossas visões de cenário e mercado. Boa leitura!

E agora Paulo?

Com a aprovação em 1º turno da Reforma da Previdência, na Câmara dos Deputados, a equipe do Ministro Paulo Guedes já trabalha em um conjunto de estímulos para destravar a economia.

Para equalizar o alto endividamento público, o governo precisa reduzir custos e aumentar as receitas. A reforma da Previdência atua do lado da redução de custos, já o crescimento econômico e as privatizações devem aumentar a arrecadação.

O governo planeja arrecadar R$100 bilhões com o programa de desestatização que, além de ajudar na parte fiscal de curto prazo, melhora também o ambiente competitivo e a produtividade do país, efeitos que devem ser sentidos com o passar dos anos. Como exemplo, podemos citar a venda da TAG: nesse caso, a Petrobras deixou de ser monopolista do setor de gás e agora outros produtores poderão disputar esse mercado, oferendo o produto por preços mais competitivos. A economia gerada no bolso do consumidor pode ser utilizada como poupança, investimento ou consumo, fomentando a economia como um todo.

Também está em discussão a Reforma Tributária, necessária para melhorar a produtividade e competitividade do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, as empresas brasileiras gastam anualmente R$60bi somente para conseguir pagar os impostos e tributos brasileiros.

Essa reforma não será fácil, principalmente por causa dos impostos estaduais, mas o momento é favorável para negociar com os Estados, que estão precisando de dinheiro. Uma alternativa seria começar simplificando os impostos federais: PIS, COFINS e ISS, que se tornariam o IBES, imposto sobre bens e serviços. Assim o contribuinte pagaria apenas um imposto, com uma única alíquota, assim como funciona o Simples Nacional.

A equipe econômica também trabalha com a liberação de aproximadamente R$20bi do PIS/Pasep e parte do FGTS para a população. Também é cogitado destinar parte dos recursos do projeto de desestatização para o programa Minha Casa Minha Vida.

Independente do Ministério da Economia, o Banco Central indicou que deve iniciar um novo ciclo de corte de juros, tendo percebido avanço na reforma da Previdência, uma vez que a atividade econômica está demorando para aparecer e as expectativas de inflação estão abaixo da meta.

Sendo assim, acreditamos que este conjunto de medidas tem o potencial de destravar o crescimento econômico e endereçar o problema fiscal do país, o que atrairia capital estrangeiro, gerando o chamado ciclo virtuoso na economia, onde cada acontecimento tende a melhorar o próximo.

Bolsa Brasileira é destaque , pero no mucho

Muitos investidores têm atribuído a recente alta do Ibovespa exclusivamente à aprovação da reforma da previdência em 1º turno na Câmara.

Como já abordado nessa e em cartas passadas, a reforma da previdência é essencial para a sustentabilidade fiscal, confiança dos investidores e crescimento do Brasil nos próximos anos. Mas seria ela o único fator que influencia o desempenho da bolsa brasileira?

Gráfico 1: Variação percentual das bolsas em 2019 (até 15/jul) . Fonte: Bloomberg

Analisando a performance das bolsas globais em moeda local no ano, podemos notar que a recente performance positiva do Ibovespa não ocorreu sozinha – outras bolsas também tiveram bons desempenhos no ano.

Eventos políticos, positivos ou negativos, afetaram e vão continuar afetando a performance do Ibovespa ao longo do tempo, mas é importante lembrar que o Brasil não é uma ilha, e que o desempenho dos ativos locais depende muito do ambiente externo.

Além da aprovação da reforma da previdência e da atividade econômica, é importante acompanhar os desdobramentos da política monetária americana e da guerra comercial entre China e EUA. Até agora, entendemos que o cenário internacional deve continuar sendo benéfico para os ativos brasileiros.

Marcos Hatushikano

Sócio Fundador da Loyall Capital Partners.
Desde 1989 no mercado financeiro. Foi diretor comercial do segmento de keyclients da divisão de wealth management do Banco UBS Pactual e diretor de produtos para o varejo no Citibank além de passagens relevantes por Becton Dickinson & Co., Banco Matrix e Santander. Foi membro do Conselho de Administração da Anhanguera Educacional. Graduado em administração de empresas pela Universidade de São Paulo, concluiu o MBA pela The Wharton School of the University of Pennsylvania. Possui a certificação CGA – Certificação de Gestores da ANBIMA.

Rodrigo Santin

Sócio, Estrategista de Investimentos
Desde 2003 no mercado financeiro. Foi Estrategista de Renda Fixa e Moedas no Comitê de Investimentos Global do Itaú Private Bank, Portfolio Manager de fundos multimercado (RV, Juros e Moedas) no Itaú Asset e Risk Manager no Itaú e Unibanco Asset. Graduado em Economia na Unicamp e Mestre em Economia na FGV-EESP. Possui as certificações CFA – Chartered Financial Analyst, CFP – Certified Financial Planner e CGA – Certificação de Gestores da ANBIMA.