Carta Loyall Junho 2019

Sumário

Em maio, os fundos tiveram performance acima do CDI. Tanto nossa seleção de gestores quanto as posições proprietárias da Loyall contribuíram positivamente.

Durante o mês, fizemos alguns ajustes nas posições: i) aumentamos marginalmente as posições aplicadas em NTN-Bs intermediárias e em prefixados curtos; ii) incluímos uma proteção para a posição de bolsa brasileira e; iii)  mantivemos a posição vendida em dólar contra real através de opções.

O Ibovespa subiu 0,7% em maio. Continuamos otimistas com bolsa brasileira porém, na segunda quinzena do mês incluímos uma proteção barata, sem reduzir a exposição líquida, para os casos de: i) não aprovação da reforma da previdência; ii) crise externa.

O dólar terminou o mês estável, mas oscilou bastante no período. O fato de estarmos posicionados via opções evitou uma volatilidade exacerbada dos portfolios e está permitindo capturar a queda do dólar em junho com uma posição maior.

Aumentamos marginalmente a alocação comprada em NTN-Bs intermediárias e a posição aplicada em juros prefixados de vencimentos mais curtos. A cada dia que passa, o crescimento se mostra mais lento, a inflação continua sob controle e o risco pende para o lado de o BC poder cortar os juros. Enquanto a economia demora a acelerar, a preferência continua sendo por vencimentos mais curtos.

Em suma, estamos com posições um pouco maiores, mas com proteções na parcela de moedas e bolsa. Continuamos sem posição em ativos internacionais, aguardando mais visibilidade.

Nas próximas páginas, você encontrará mais detalhes sobre nossas visões de cenário e mercado.

Boa leitura!

Proteção para a parcela de ações

Após um início de ano bastante positivo, a bolsa brasileira tem oscilado com o andamento das reformas no Congresso e o humor do investidor internacional, ainda apreensivo com o impacto da guerra comercial entre Estados Unidos e China no ritmo do crescimento global.

Gráfico 1: Indice Bovespa no ano

No cenário local, estamos nos aproximando de um evento binário. A tramitação da reforma da previdência no Congresso tem potencial para iniciar um ciclo consistente de reconstrução da confiança nas contas públicas brasileiras, o que deve ser muito positivo para o mercado acionário caso a proposta seja aprovada com níveis de economia substanciais, necessários para o reequilíbrio das contas públicas. Caso contrário, os efeitos podem ser altamente negativos.

Visando defender os portfolios de um cenário com baixa probabilidade, porém com impactos relevantes nos preços dos ativos, decidimos adicionar proteção aos portfolios. Aproveitamos os momentos em que as proteções ficaram baratas e compramos opções que se beneficiam de grandes quedas do Ibovespa.

Terras Raras

A guerra comercial entre Estados Unidos e China continuou se intensificando nos últimos meses. Após avançar além das tarifas comerciais, com as proibições de transações envolvendo produtos da empresa chinesa Huawei, os governos dos dois países têm buscado novos pontos de pressão para influenciar um ao outro nas negociações. Uma das novidades dessa disputa inclui ameaças de corte de exportação dos minerais conhecidos como terras raras por parte dos chineses. Nesta sessão explicamos um pouco de sua importância e analisamos as consequências desses possíveis cortes.

São 17 os elementos classificados como terras raras. Em sua maioria pertencentes às últimas linhas da tabela periódica, formam compostos fundamentais para as indústrias de equipamentos eletrônicos, medicamentos, química, militar, ligas aeroespaciais, entre outras. Por exemplo, um smartphone utiliza cerca de 0,06g e um notebook 2,4g desses materiais. Ou seja, no mundo atual, altamente dependente de equipamentos eletrônicos, eles são essenciais para a economia e segurança nacional dos países, ainda que em pequenas quantidades.

De acordo com o Departamento de Pesquisas Geológicas Americano (USGS), a China possui a maior reserva de terras raras do mundo (44 Milhões de toneladas), seguida por Brasil (22 Mt), Vietnã (22 Mt), Rússia (12 Mt) e Índia (6,9 Mt). Somadas, essas reservas resultam em aproximadamente 120 Milhões de toneladas de REO (Óxidos de Terras Raras).

Gráfico 2: Estoque Mundial REO 2018 em Milhões de Toneladas. Fonte: USGS

Quanto a produção, dados da USGS indicam que em 2018 foram produzidas aproximadamente 170 mil toneladas de REO. 70% desse volume veio da China, em segundo lugar veio a Austrália com 12% da produção. Nesse mesmo ano, os Estados Unidos importaram aproximadamente 11,1 mil toneladas, ou 15% da produção global. Desses, 81,5% foram importados da China.

Caso a China corte suas exportações desses materiais aos Estados Unidos, os americanos ainda teriam capacidade de comprar de outros fornecedores ou aumentar sua produção, normalizando a oferta no médio prazo. Porém, no curto prazo, os custos dessa reorganização da cadeia somados a choques nos preços de determinados elementos podem ter impactos na economia americana e, serem motores de um acirramento das disputas comerciais, risco que continuaremos monitorando.